A lista do ípsilon…

1. O Autor (Tim Crouch)

2. O Nosso Terror


encenação de Sylvain Creuzevault
d’ores et déjà (França)
Lisboa, 8 a 19 de Abril, Culturgest

Se os gregos tinham a Guerra de Tróia, a dramaturgia moderna tem a Revolução Francesa: “A Morte de Danton”, de Büchner, ou “Marat/Sade”, de Weiss, por exemplo. “O Nosso Terror” tem como figura central Robespierre, o último do trio de líderes revolucionários a ser executado. A teatralidade criada pelos d’ores et déjà permitiu falar do mito da revolução com uma propriedade singular. Os actores tão depressa estavam numa sala de reuniões do séc. XX como à beira da guilhotina. O espectáculo une drama e história como só o teatro pode fazer.

3. A Mentira (Pippo Delbono)

4. Neva


de e encenado por Guillermo Calderón
Teatro en el Blanco (Chile)
Lisboa, 19 e 20 de Junho, Fundação Calouste Gulbenkian, Festival Próximo Futuro

Estamos no inverno de 1905, em São Petersburgo, num teatro que dá para o rio Neva. Olga Knipper tenta ensaiar “O Cerejal”, a obra-prima do recém-falecido marido. Enquanto isso, as tropas do czar massacram manifestantes nas ruas. Podia ser qualquer ano e qualquer cidade em que um grupo de actores se perguntasse o que fazer quando lá fora há mortes a sério. As personagens lutam por encontrar um sentido para os seus desejos. “Neva” revela como podem estar enredados os sentimentos de revolta política, paixão amorosa e dedicação à arte.

5. Cabaret Hamlet


de Shakespeare
encenação de Matthias Langhoff
Théâtre Dijon-Bourgogne – CDN (França)
Lisboa, 14 e 15 de Julho, Centro Cultural de Belém, Festival de Almada

A versão Matthias Langhoff de “Hamlet” tem o texto de Shakespeare na íntegra, mas desconjuntado. A cenografia é um amontoado de materiais usados e o enredo uma sucessão de números de variedades e atracções de feira, que inclui desde canções (legendadas em painéis electrónicos) à projecção de imagens de líderes e conflitos do século XX. A encenação desconfia em absoluto do espectáculo natural do heroísmo, busca uma estética da derrisão, com o sarcasmo furioso de Hamlet dando o tom, e relembra que o reino (todo o reino, não apenas o da Dinamarca) está podre.

6. Schoolboy Play (Roman Paska)

7. O Sr. Puntilla e o Seu Criado Matti (Bertolt Brecht, pelo Teatro Aberto)

8. Húmus (Raul Brandão, pela Karnart)

9. Dança da Morte [ex-aequo]


a partir de vários autores
encenação de Ana Zamora
Nao d’Amores / Teatro da Cornucópia
Lisboa, 6 a 13 de Julho, Teatro do Bairro Alto, Festival de Almada

A Dança da Morte figura o encontro macabro e a última saída de cena como um juízo final, a partir de textos da tradição ibérica dos séculos XIV a XVI, que pareceriam fósseis aos olhos mais negligentes, mas surgem absolutamente revitalizadas nesta encenação. O jogo dos actores, descontraído, desmonta qualquer ameaça associável à erudição. Ana Zamora põe em linha o nosso tempo com o tempo antigo, tocando no próprio osso da memória para nos maravilhar com um teatro familiar e distante ao mesmo tempo.

9. Quixote (António José da Silva, pel’O Bando) [ex-aequo]

…e duas sugestões para 2011 (entre dez presentes que são um espectáculo):

Rosmersholm em português

É a primeira vez que a peça de 1886 é feita por portugueses, o que faz desta estreia um acontecimento histórico. Rosmersholm é o nome da propriedade de Johannes Rosmer, ex-pastor protestante, homem de carácter. Abandonado pelos amigos devido às suas posições reformistas, teve um casamento infeliz com uma mulher melancólica que acabou por se suicidar. Rebecca West, acolhida na casa ainda em vida da senhora Rosmer, torna-se o centro das atenções de Johannes. “Rosmersholm” é uma peça sobre o peso do passado em que o enredo é revivido retrospectivamente. O suicídio da esposa e a origem de Rebecca são alvo de um inquérito cujas revelações finais conduzem à tragédia. A matéria que alimenta grande parte da produção cinematográfica e televisiva há cem anos pode ser vista aqui na sua expressão original.

Rosmersholm
Henrik Ibsen
Encenação de Gonçalo Waddintgon
Lisboa, Centro Cultural de Belém. De 10 a 13 de Fevereiro
Bilhetes a 10 euros

Na América de hoje

O premiado grupo nova-iorquino – descrito como um encontro entre a vanguarda e a MTV – apresenta-se de novo em Lisboa, com um espectáculo sobre o capitalismo norte-americano, de que a Culturgest é co-produtora e que integra a programação do Festival de Almada. The TEAM (Theatre of the Emerging American Moment) tem por programa “a dissecação e celebração da experiência de viver na América hoje”, a partir das mais diversas fontes (textos de ficção e de teoria, imagens de filmes e das artes visuais), tratadas das mais variadas formas (música, dança, drama, comédia). “Mission Drift” revê a história da expansão para oeste desde os tempos em que Nova Iorque ainda se chamava Nova Amesterdão até à Las Vegas deste século. É uma oportunidade única para conhecer de perto as malhas de que é feito o império e como o teatro norte-americano se renova a si mesmo.

Mission Drift
The TEAM
Lisboa, Culturgest
De 14 a 16 de Julho
Bilhetes a 15 euros
Boas Festas!
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