Chile: assuntos pendentes

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As minhas primeiras horas no Chile foram para ver (antes que começasse a dose diária de duas a três peças no festival de teatro Santiago a Mil) La exposición pendiente 1973-2015. Orozco, Rivera, Siqueiros, com quadros e esboços dos três muralistas mexicanos, muitos dos quais alusivos à revolução mexicana de 1910-20.

A exposição ia ser inaugurada a 13 de Setembro de 1973, no Museo de Bellas Artes de Santiago, quando foi cancelada — a exposição e a democracia — pelo golpe de Pinochet. Mais de 40 anos depois, o museu apresenta finalmente as obras da coleção, acompanhada por documentos da época, entre os quais filmagens das primeiras horas do ataque ao Palacio de la Moneda. Há até uma convocatória para todos aqueles que estavam a pensar ver a exposição originalmente darem o seu testemunho.

A mostra original, intitulada Orozco Rivera Siqueiros. Pintura Mexicana incluía El arquitecto (1915-1916) e Maternidad (1916), de Rivera; Zapata, estudio para el mural del castillo de Chapultepec (1966) [na foto], Torso femenino (1945) e Retrato de José Clemente Orozco (1947), de Siqueiros; El fusilado (1926-28), El réquiem (1928), Pancho Villa (1931), Cristo destruye su cruz (1943), de Orozco.

Fiquei a pensar qual seria a exposição que em Portugal estaria a ser preparada em 1926 e que, uma vez interrompida por um golpe militar, viesse a ser feita 42 anos depois, em 1968; ou que actividades culturais suspensas desde 1974 talvez fossem recuperadas em 2016. Um bom exemplo, assim de repente, é a exposição sobre a exposição do mundo português. Há duas saudades em competição: uma dos anos 40 e outra dos anos 70.

 

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