Chile: cinco vezes mais teatro

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Se em Portugal houvesse um Museo de la Memoria y de los Derechos Humanos, talvez no verão houvesse um ciclo de teatro explicitamente político. Não seria descabido de todo, no país que inspirou a criação da Amnistia Internacional. Mas Portugal não será o Chile da Europa, pelas boas e pelas más razões. Os antigos edifícios da PIDE em Lisboa e em Coimbra foram transformados em condomínios de luxo e o do Porto faz parte do Museu Militar. Por isso, os equivalentes a Los Milionários [na foto], La Imaginación del Futuro e La Amante Fascista não serão vistos nessa dimensão paralela. Resta a viagem a Santiago do Chile, onde em Janeiro, além desse ciclo, há o Entepola, um encontro de teatro comunitário na periferia da cidade que mobiliza milhares de pessoas; o Santiago Off, onde se apresenta a maior parte da produção independente chilena e alguma internacional; e o histórico Santiago a Mil, onde, além da produção internacional de primeira água, e de uma seleção da criação chilena do ano anterior, são apresentadas as apostas do teatro latino-americano para os próximos anos (no caso, a próxima peça do grupo La Resentida, a próxima peça de Guillermo Calderon e a próxima peça do catalão Alex Rigola). O festival é assume-se como o grande promotor do teatro nacional, com uma mostra em maio e junho de co-produções que circulam por todo o mundo, mas também com o exercício da influência junto do governo e da assembleia, que acabou de aprovar por unanimidade uma lei de ensino de teatro nas escolas.

E ainda estava em cartaz uma montagem de Calderón, de Pasolini, por finalistas do curso de teatro da Universidade do Chile. Tudo isto com salas sempre cheias.

Seria como se, em Julho, em Lisboa, pudéssemos ver Três Dedos Abaixo do Joelho, Tropa Fandanga e Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas num museu sobre a ditadura que existisse no CCB, por exemplo; o FITEI e o Circular, mais o SET, que desciam o Douro; uma combinação de Alkantara e Festival de Almada com a Plataforma de Montemor-o-Novo; e ainda um espectáculo da ESTC. Mas Santiago é cerca de cinco vezes maior que Lisboa, em área e população. Seria como se vivêssemos cinco meses de teatro em um. O principal, porém, é como estes eventos fecham o ano teatral que passou e lançam pistas para os meses seguintes, a partir do início da temporada, em Março, o nosso Setembro.

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