Teatro pós-popular experimental

23 MAQRCO 2015 - PORTO - CASA VAGA TEP TEATRO RIVOLI

A baixa literatura — romances de cordel e livrinhos de cóbois — está na base de duas peças em cena este fim-de-semana no Porto, Cordel, de José Carretas e Amélia Lopes, no TNSJ, e Casa Vaga, de Rui Pina Coelho, no Campo Alegre. Sou parceiro deles em alguns projectos, por isso a minha opinião é suspeita (o costume), mas estes trabalhos casam muito bem a forma com a matéria. O texto e a encenação de Cordel são exemplarmente construídos para tratar os assuntos em causa — casos de amor, ódio, doença, infortúnio, coragem, terror, todos extremos. Além disso, as ferramentas teatrais são usadas com domínio total, provadas pela auto-consciência do texto e auto-ironia dos atores. (Leiam o programa.)

Casa Vaga, por sua vez, usa as convenções do western para expor a conquista do Oeste norte-americano como uma grande empresa capitalista, o que de facto está embutido no género em causa, torcendo a forma ao ponto de a aportuguesar radicalmente e pondo os espectadores nacionais em frente ao espelho. É assim o teatro popular, ou o que está a ser feito depois dele.

Não me vou alongar muito mais sobre Casa Vaga porque há uma excelente crítica de teatro escrita por Amarílis Felizes, na Vírus 7, por ocasião da estreia do espectáculo. Dou cinco estrelas a esta crítica, mas sou suspeito, de novo, entre outras coisas porque hoje, 23 de Setembro, data em que escrevo esta nota, é o aniversário da articulista. Parabéns!

Para a semana (29 de Setembro) estreia outra peça que promete e da qual também sou suspeito para falar, uma vez que já o fiz no programa impresso que será distribuído ao público. Trata-se de Bácoro, da Palmilha Dentada, no TeCA. Recomendo vivamente, aliás como tudo que eles façam, a solo ou em grupo. No mesmo dia, Hélder Guimarães estreia Verso na Broadway, ou coisa que o valha, um espectáculo encenado por Rodrigo Santos, com luz de Pedro Vieira de Carvalho, cúmplices habituais da Palmilha, cuja primeira versão foi feita no Teatro do Bolhão. Como o Hélder e o Rodrigo fizeram um espectáculo chamado Maratona de Nova Iorque quando eu fui diretor do Teatro Oficina, em Guimarães, e realmente suaram as estopinhas, sou suspeitíssimo. Mas eles são campeões, em cena e fora dela, por isso espero que passe a recomendação.

Por falar em Guimarães, um dia depois, no CCVF, estreia Força Humana, uma ressaca de Os Lusíadas, como António Fonseca e José Neves. Sou muito suspeito para falar tanto do CCVF quanto do Força Humana, e por razões opostas. O que faço? Calo-me? (Em francês:) Jamais!

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